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Nova diretoria do Iraty quer resgatar social e saúde financeira do clube

Prioridade da gestão do próximo biênio é recuperar as finanças do clube, pois sem essa estrutura o futebol se torna inviável

Da redação, com reportagem de Ademar Bettes e João Maria Rodrigues 
A prioridade da nova diretoria do Iraty Sport Club, eleita para o biênio 2020-2021, é recuperar as finanças do clube e sua parte social. Na visão do presidente eleito para o Conselho Deliberativo, Odair Sérgio Marochi Filho, sem essa base, dar estrutura para o futebol se torna inviável. 
Tratar o futebol, hoje, como prioridade, para Marochi Filho, tornaria a situação do clube ainda mais caótica, “pois traz mais despesas do que arrecadação. No momento [a prioridade] é reestruturação, para depois, pensarmos na forma que o futebol possa voltar aos tempos de glória”, comenta. 
A diretoria eleita fez um levantamento prévio da situação financeira do Iraty e das ações judiciais ajuizadas contra o clube. “Verificamos que a grande maioria ou quase a totalidade é em decorrência de atletas que passaram pelo clube. Entraram com ações que resultaram em diversas condenações e isso acarretou um déficit muito grande para o clube. Hoje, a dívida do clube com esses atletas está em torno de R$ 10 milhões”, aponta. 
Algumas das ações são recentes, mas as mais vultosas estão relacionadas à gestão 2007-2008. “Isso, logicamente, preocupa os sócios e preocupa a população em geral porque o clube é centenário – 1914, é um dos primeiros clubes do Paraná e a intenção é termos essa reestruturação. Funcionários estão com salários atrasados. Vamos buscar justamente arrecadação, receita, para que possamos cumprir com essas obrigações, colocar em dia os encargos trabalhistas e fiscais, para depois verificarmos como poderemos proceder perante o futebol”, reforça Marochi Filho. O Iraty conta atualmente com sete funcionários. 
A proposta da diretoria eleita é ampliar o quadro de associados e estabelecer parceria com as empresas, para que elas subsidiem, de alguma forma, novos sócios. “Com essa proposta de aumento, ampliar algumas instalações da sede, trazer um espaço familiar, uma reformulação do layout, novos quiosques, reformulação da sede, tentar montar um centro que possa abrigar um casamento ou aniversário – eventos em geral, coisas que hoje o clube não consegue oferecer para ter a receita. Almejamos, inicialmente, um acréscimo que permita, pelo menos, alcançar uns 300 sócios pagantes, o que já colocaria a folha de pagamento e as despesas em dia, para que nós possamos nos sentar e negociar com credores”, afirma o presidente eleito. 
Quanto à dívida de cerca de R$ 10 milhões, referente a ações trabalhistas, Marochi Filho assinala que é irreversível, uma vez que as ações já transitaram em julgado – ou seja, não cabe mais recurso. “A reversibilidade do valor, não existe mais condição jurídica de que ocorra. Vamos tentar buscar recursos e existe ainda o mecanismo de solidariedade da FIFA, para que alguns atletas possam trazer recursos grandes para o clube e, assim, consigamos negociar com esses credores”, explica. 
Um desses atletas é o lateral-esquerdo do Bayer Leverkusen, Wendell Nascimento Borges, que foi formado no Iraty Sport Club. “Ele pode ser uma boa fonte de renda num futuro próximo, se houver uma transferência dele. Esse recurso pode ser substancial e importante para a saúde financeiro do clube”, acrescenta. 
Futebol 
Sobre uma eventual manutenção das categorias de base – que dependem, em paralelo, da categoria profissional – Marochi Filho ressalta que precisa aguardar o fim do recesso da Federação Paranaense de Futebol para se inteirar da situação do clube. “Tivemos informações de que há multas pendentes com relação a algumas partidas do Iraty por lançamento de objetos [da torcida] no campo e não houve defesa, por parte do clube, no julgamento, o que acarretou uma multa. Não sei o valor da multa. Vamos até a FPF para apurar isso e verificar a possibilidade do licenciamento do clube para esse primeiro ano. Não podemos ter a categoria de base sem a participação do clube numa competição”, diz. 
A escolinha deve ser mantida. A nova diretoria também manifesta intenção de reativar as equipes do Veterano e do Varzeano para a participação nos campeonatos. “Vamos buscar que isso ocorra para que essa parte do futebol do Iraty não fique adormecida nesses dois anos e se mantenha em constante atividade. Para competições municipais, o clube está liberado. Não está liberada a utilização de arquibancadas, mas vamos verificar toda essa questão técnica dos laudos e tudo o mais. O Veterano e o Varzeano estão, sim, dentro dos planos da diretoria e dos associados, que já demonstraram interesse na participação, para trazer essa disputa saudável entre o Iraty com as outras equipes”, salienta Marochi Filho. 
Social 
A diretoria eleita pretende lançar novas modalidades de pagamento das mensalidades do clube, uma vez que o pagamento feito em débito automático ia direto para as penhoras e o clube ficava sem condições de arcar, até mesmo, com as despesas básicas, como água, luz, telefone e salários dos funcionários. “O dinheiro entrava e ficava bloqueado”, comenta. 
O clube entrou em contato com um gestor, que deve estudar novas formas de facilitar o pagamento das mensalidades e o associado será devidamente informado assim que algo for definido nesse sentido. 
O novo Conselho Diretor foi eleito no dia 23 de dezembro e, a partir daquela data, o estatuto do clube estabelece o prazo de 30 dias para que a nova diretoria inclua as indicações de um novo secretário e de um novo tesoureiro – que ficaram faltando na chapa. “Enquanto não tiver um tesoureiro estabelecido, não temos nem acesso às contas bancárias do Iraty para verificar a situação. Só após ter a diretoria completamente implantada, com ata lavrada e registrada é que vamos conseguir o acesso às informações bancárias do clube”, explica o presidente eleito. 
Conselho Deliberativo 
“O Conselho [Deliberativo] vai estar sempre à disposição do Conselho Diretor. Agora, nesse final de ano, por conta das festividades, muita gente não participa, mas acredito que, no ano que vem, com certeza o Conselho será mais atuante. Vamos fazer com que valha o estatuto e fazer uma reunião a cada dois meses”, salienta o presidente do Conselho Deliberativo, Jorge Ruteski. 
O estatuto foi alterado para reduzir o número de conselheiros de 50 para 30. Eram 50 efetivos e 25 suplentes. “Tivemos que diminuir para 30, porque não temos tantos patrimoniais, porque os conselheiros precisam ser sócios patrimoniais, não podem ser os de jóia. Fizemos 30 efetivos e 15 suplentes. Automaticamente, alguns que estão hoje no Conselho vão ter que sair e seus suplentes assumirem”, acrescenta Ruteski.