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🎧 Iratiense assume comando do 1º Pelotão da Polícia Ambiental

Tenente Gisleia Aparecida Ferreira passou a comandar o 1º Pelotão da 4ª Cia, que está sediado em Guarapuava e atende a uma área de abrangência de 70 municípios

Da Redação, com reportagem de Rodrigo Zub 
1º Tenente Gisleia Aparecida Ferreira está comandando 1º Pelotão da 4ª Cia da Polícia Ambiental há dois meses
A 1º tenente Gisleia Aparecida Ferreira deixou o posto na 8ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM), em Irati, para se encarregar de uma nova missão. Ela assumiu o comando do 1º Pelotão da 4ª Companhia da Polícia Ambiental, com sede em Guarapuava, que abrange 70 municípios. Ela também responde pelos comandos do 2º, 3º e 4º pelotões, enquanto os tenentes estão em férias.

Acompanhe o áudio da reportagem no fim do texto

O convite foi feito à tenente depois que o tenente-coronel Adilson Luiz Correa assumiu o comando do Batalhão de Polícia Ambiental. A 4ª Companhia abrange municípios dos Campos Gerais e do Centro-Sul. A sede fica em Guarapuava, onde também fica o 1º Pelotão, que abrange 27 municípios. O 2º Pelotão, do qual Irati faz parte, está localizado em Ponta Grossa; o 3º, em Telêmaco Borba e o 4º, na Lapa. São cerca de 170 policiais, dos quais 35 ficam no 1º Pelotão, em Guarapuava.
Gisleia explica que a atuação da Força Verde é no combate aos crimes ambientais – como o desmatamento ilegal, a caça ilegal e a pesca ilegal, por exemplo – e na promoção da educação ambiental. “Temos uma equipe que faz a educação ambiental nas escolas. É a Força Ambiental Mirim, que faz bastante sucesso entre as crianças. É realmente importante orientarmos antes de punirmos. Conversamos com as crianças, tentamos colocar um pouco de educação ambiental para que elas levem pela vida inteira”, diz.
Na área criminal, equipes vão a campo averiguar denúncias e fazem patrulhamento preventivo, a fim de coibir crimes ambientais.
Gisleia atua há 23 anos na corporação
Gisleia ingressou na Corporação em 1996, na cidade de Guarapuava, onde atuou por cinco anos, antes de passar pelos municípios de Ponta Grossa e Curitiba. Desde 2007, passou a atuar na 2ª Companhia do 1º Batalhão da PM, que viria a se tornar, em 14 de outubro de 2010, a 8ª Cia. Em meio a esse período, a tenente foi a Curitiba em 2009 fazer o curso de oficial e retornou a Irati em 2011. “Ali desenvolvi muitas funções operacionais, administrativas, de comunicação social. Durante muito tempo fiz parte do Setor de Comunicação Social e mantinha contato com a imprensa”, relembra. Nesse intervalo, também assumiu funções de comando de Pelotões e foi subcomandante da 8ª Cia.
Por enquanto, na nova função, tudo tem sido aprendizado para Gisleia. “Tudo é novidade. Tem policiais nossos aqui que estão na Polícia Ambiental há 17, 18, 20 anos. Eles sabem tudo de policiamento ambiental e estamos aprendendo com eles, vendo qual é o trabalho e estamos colaborando. A função do oficial é mais de coordenação. Como comandante, sempre estamos fiscalizando, respondendo a algum procedimento específico que o Ministério Público manda direto para nós. A função do oficial é, mesmo, a fiscalização das equipes”, compara.
As denúncias de crimes ambientais podem ser direcionadas para o telefone 181 – basta informar que deseja entrar em contato com a Polícia Ambiental e mencionar a cidade da ocorrência. Entre os crimes ambientais mais recorrentes na região, estão o de manter em cativeiro pássaros silvestres e o corte ilegal de madeira. “Na área de preservação permanente, [a madeira] não pode ser retirada de maneira nenhuma. Quando tem algum outro tipo de extração de madeira, tem que solicitar [licença] ao IAP. A primeira coisa que a Polícia Ambiental chega e verifica é se houve corte de madeira; notifica o proprietário para trazer até a sede tudo o que tiver de documentação. Se tiver autorização do IAP, não vai ter problemas. Se não tiver a documentação, aí é embargado e tem multas, com valores altos. Numa operação recente, a multa foi de R$ 100 mil”, exemplifica.
Já a verificação de denúncias de caça é um pouco mais difícil, segundo a comandante do 1º Pelotão da Polícia Ambiental, devido à necessidade do flagrante. “Às vezes, as denúncias nos chegam atrasadas e não se consegue mandar a equipe, porque os caçadores não estarão mais lá. Se alguém tiver a informação precisa de que a caça esteja ocorrendo naquele momento, pode nos ligar aqui”, diz.
Tenente foi homenageada com Elogio Individual durante a cerimônia de comemoração de nove anos de instalação da 8ª Cia realizada na sexta-feira, 18, na Câmara de Irati
“Quanto à pesca, nós fazemos patrulhamento, porque nossa área de atuação, do 1º Pelotão, pega todas essas usinas, como a de Santiago, Salto Segredo, Foz do Areia. É feito o patrulhamento aquático, com os barcos e as equipes vão e fazem patrulhamento nas encostas, onde são frequentemente encontradas as redes de pesca, que os pescadores deixam lá. Aí já é feito o flagrante”, acrescenta.
A preparação para ser da Força Verde envolve um curso de 80 dias de preparação e uma prova, uma vez que se trata de um policiamento especializado que exige conhecimentos na área.
Além disso, a tenente, que é graduada em Direito pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) e especialização em Administrativo Disciplinar e Direitos Humanos, tem procurado se aperfeiçoar nos estudos de legislação ambiental, que é bastante específica. “Estou buscando cursos de especialização. Sempre estamos em contato com IAP e IBAMA, que são mais específicos ainda. A legislação ambiental é como a de trânsito, que sempre está mudando. Então sempre temos que estar em contato com esses órgãos para não deixar passar alguma coisa que tenha mudado”, conta.
Gisleia também comenta sobre a 8ª Cia, que completou nove anos na semana passada. “É uma unidade que trago no coração. Sinto saudades, mas tudo tem que evoluir na vida da gente. Essa mudança para a Polícia Ambiental para mim faz bem, pessoal e profissionalmente. Mas a 8ª Cia está no meu coração. Familiares moram aí [em Irati] e estou sempre indo para aí, quase todo final de semana. Nunca vou me desvincular. Ali fiz grandes amizades em todos os comandos que passaram”, comenta.
A Tenente estudou nos Colégios João de Mattos Pessoa, Nossa Senhora das Graças e Antonio Xavier da Silveira, em Irati. Ela possui duas filhas (Bruna, de 27 anos, e Júlia com cinco anos).