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Textos de engenheiro civil descrevem formação de bairros iratienses

Autor da iniciativa, engenheiro Dagoberto Waydzik, deu detalhes sobre o projeto em entrevista no programa “Meio Dia em Notícias”
Da Redação, com reportagem de Rodrigo Zub

© Jussara Harmuch

Engenheiro Civil, Dagoberto Waydzik, contou detalhes de sua iniciativa de escrever sobre a história dos bairros de Irati durante entrevista na Rádio Najuá
Uma série de textos produzidos pelo engenheiro civil Dagoberto Waydzik vai ajudar a descrever a formação de alguns bairros iratienses. O autor da iniciativa participou de várias administrações municipais ao longo das últimas décadas e auxiliou na criação de alguns conjuntos habitacionais do município.

O engenheiro cita que Irati sempre contou com bons historiadores, a exemplo de José Maria Orreda, Herculano Batista Neto, José Maria Grácia Araújo, Gaspar Valenga e Joel Gomes Teixeira. “Mas senti que há um lapso do ano de 1983 para cá. Não tem nada registrado. Resolvi escrever sobre esses bairros e sobre outros mais antigos”, diz.

Os textos têm sido divulgado em redes sociais, no Whatsapp, no grupo de Facebook “Era uma vez, em Irati”, na fanpage do engenheiro (https://www.facebook.com/Dagoberto-Waydzik-305145199949308/), em coluna, no jornal Folha de Irati e no site da Rádio Najuá. “Como são crônicas que estão sendo publicadas em jornal, há uma regra de não passar de 500 palavras ou de 50 linhas. Teria muito mais para escrever sobre cada bairro. Me restrinjo a isso. Mas, se realmente tiver força e capacidade, dá até para editar um pequeno livro e, aí, dá para aumentar essas crônicas e melhorá-las, pois ficam faltando alguns nomes, alguns fatos. Está sendo bem interessante, uma experiência bem bacana”, observa o autor.

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Entre os bairros já abordados em suas crônicas estão o Jardim Planalto, que antes era uma favela; o Pró-Morar da Vila São João; o Alto da Lagoa; Dallegrave; Fernando Gomes; Conjunto Santo Antônio; Vila São João e estão sendo compostos os textos do bairro Lagoa e do Rio Bonito. Os textos registram elementos sobre a formação dos bairros, como a escolha e o significado de seus nomes. “No bairro da Vila São João, por exemplo, pode até ser uma lenda, mas até [Magda Goebbels,] a mulher do [Paul Joseph] Goebbels, que foi o braço direito de [Adolf] Hitler teria ficado ali no Fomento Agrícola por algumas semanas, que teria fugido do regime [nazista] quando estava para acabar, ou praticamente perto de acabar a Guerra [II Guerra Mundial, e veio para a América do Sul. Teria pego uma identidade falsa no Paraguai e ficou perambulando, a cavalo, com a filha e mais algumas pessoas, pela América do Sul”, afirma. A versão oficial é de que Goebbels e Magda se suicidaram em Berlim, em 1945 e os seis filhos foram mortos, antes, por administração de cianeto.

Waydzik explica que, inicialmente, seu intuito era abordar os bairros nos quais ele trabalhou em sua formação, no período de 1983 a 1992. Porém, o objetivo foi ampliado e agora os textos falam de peculiaridades de outros bairros, mais antigos e mais novos.

“O Jardim Planalto, por exemplo, era uma favela que tinha perto do campo do Iraty, com 90 e poucas famílias, em casebres de lona, de costaneira, de lâminas. A administração, na época, se não me engano, do Toti Colaço, junto com a Igreja Católica e a Igreja Evangélica, formaram uma grande associação e foram feitas as casas em regime de mutirão”, conta.

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A busca por informações sobre a origem do bairro inicia com a prospecção dos moradores mais tradicionais, as famílias que permanecem há mais tempo morando ali. “Agora, estou elaborando o texto do bairro Lagoa e fui atrás da família Rebesco, da família Zarpellon, da Otília Setnarski, que foi vereadora e moradora, por muito tempo, daquela região. Procuramos as famílias mais antigas daquele local e fazemos uma menção de quem foram os moradores pioneiros daquele local”, afirma.

“No da Lagoa, que ainda não foi publicado, o primeiro carro de Irati foi do senhor Caetano Zarpellon, que morou na Lagoa. Ele fez uma olaria para construir a própria casa e vendeu tijolos para a Escola São Vicente, para a Igreja Matriz Nossa Senhora da Luz e para o Hospital São Vicente de Paula”, prossegue.

O projeto iniciou há três meses. Waydzik produz textos e crônicas há pelo menos 20 anos e publicou seus textos em jornais iratienses. O objetivo, agora, é de escrever a respeito de todos os bairros de Irati e, provavelmente, sobre as localidades do interior. “É uma coisa muito satisfatória, acabamos conhecendo muita gente, vemos muitos amigos e colocamos muitos fatos que as pessoas não sabem que existiram. Por exemplo, no Núcleo Santo Antônio, tivemos que dinamitar o solo, para fazer uma fossa gigante, que se chamava RALF (Reator Anaeróbico de Leito Fluidizado), na época, porque não tinha esgoto. Lá no Cruzeiro do Sul, para frente da Lagoa, fazíamos feijoadas aos sábados para animar os mutirantes, que eram as próprias pessoas da família, que trabalhavam junto com alguns profissionais da Prefeitura”, relata.

Quem tiver interesse em contribuir para o projeto do engenheiro Dagoberto Waydzik com histórias do próprio bairro, pode contatá-lo pelo telefone (42) 99105-1881 ou pelo e-mail dwaydzik@hotmail.com.