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Irati terá Festival Gaúcho na sexta-feira

Evento no Park Dance celebra a cultura gaúcha, com apresentações artísticas e culinária típica

Edilson Kernicki, com reportagem de Rodrigo Zub 
O entusiasta do movimento tradicionalista gaúcho, Roni Surek, e seu filho, Nykolas Surek, promovem na próxima sexta (20), a partir das 18h30, no Park Dance, o 1º Festival Artístico e Gastronômico Gaúcho. O evento celebra a cultura gaúcha com apresentações artísticas e culinária típica. Serão apresentações de danças, trovas, declamações, músicas e chula dentro do salão da casa de eventos.
No lado de fora, no estacionamento, ficará concentrada a parte gastronômica do festival. No cardápio: feijão tropeiro, costela, carneiro, leitão no fogo de chão, batatas ao murro, varal de galeto, farofa de torresmo e a paella gaúcha, uma recriação do prato espanhol com ingredientes campeiros.
A data para o festival não poderia ser mais propícia: dia 20 de setembro é o Dia do Gaúcho. A data, que é feriado em todo o Rio Grande do Sul, rememora o início da Revolução Farroupilha, em 20 de setembro de 1835. A Guerra dos Farrapos, como também é conhecida, terminou em 1º de maio de 1845, após um acordo de paz entre o Império do Brasil e os revoltosos, que pretendiam separar-se dele.
A entrada para as apresentações artísticas será gratuita. “Estamos contando com apresentações de pessoas natas, valores aqui realmente da nossa terra, que representam Irati em todo o Sul do Brasil com suas apresentações. Não será cobrado absolutamente nada para assistir a parte artística”, conta Roni.
Para desfrutar do festival gastronômico, o tradicionalista vai desembolsar apenas R$ 20. “Só conseguimos fazer isso porque fomos buscar parceiros, pessoas que também amam o tradicionalismo, como eu. É um evento voltado para as famílias. [Os parceiros] contribuíram e conseguimos fazer um preço bem popular. Mas os ingressos são limitados. Queremos chegar a atender em torno de 250 pessoas para podermos atendê-las bem”, explica.
Os organizadores devem fechar o quadro de apresentações artísticas neste início de semana. Quem tiver intenção de apresentar um número artístico ainda pode entrar em contato com Roni pelo telefone (42) 9-9962-9704.
O cardápio foi organizado com base na mais tradicional culinária gaúcha e incorpora elementos gastronômicos de países que fazem fronteira com o Rio Grande do Sul. “Pesquisamos e trouxemos as comidas gaúchas mais tradicionais, que seriam as carnes assadas no fogo de chão – o carneiro, o leitão, a costela. Trouxemos da cultura gaúcha uruguaia e argentina as outras partes – a paella gaúcha, a batata ao murro, a farofa. Juntamos isso e montamos o cardápio para o evento para servirmos ao pessoal de uma maneira diferente”, comenta Nykolas. 
Segundo ele, os pratos serão servidos em pequenas porções, para degustação, a todo o momento, das 19 às 22h. A opção em dispensar o buffet tem por objetivo que todos comam a carne que acabou de sair do fogo e evitar filas. Entre 12 a 15 pessoas devem participar da preparação do cardápio. Cada prato terá uma estação própria – ali mesmo onde o prato é preparado, ele é servido.
Nykolas comenta que o gosto pela questão tradicionalista vem de berço. “Meu pai sempre gostou da cultura tradicionalista. Não é um gaúcho que veio do Rio Grande, mas sempre amou a cultura e isso vem de berço. Fui em rodeios, acampei durante 15 anos em rodeios e participei da parte artística. Aí veio uma paixão diferente: apareceu a gastronomia e passei a trabalhar em restaurantes”, diz.
Para Roni, a influência para o interesse pelo tradicionalismo veio dos meios de comunicação. Ele conta que nasceu no Taquari, interior de Rio Azul, e, depois, aos dez anos, foi morar em Guarapuava e ouvia muito as rádios Gaúcha e Guaíba, ambas do Rio Grande do Sul. Posteriormente, em 1975, ao se deparar pela primeira vez com uma televisão, ainda em preto-e-branco, assistiu à final do Campeonato Brasileiro, entre o Internacional (RS) e o Cruzeiro (MG). Sem saber distinguir um time do outro, pela falta de imagens coloridas, decidiu torcer pelo time de uniforme “preto” – que, de fato, era vermelho – o Inter. Além disso, o pai de Roni o estimulou desde cedo a ouvir a música tradicionalista.
“Há mais ou menos 30 anos, tive condições de fazer minha primeira pilcha e de ir a um baile de patrão. Aquilo foi a cada dia aumentando mais a paixão e o gosto pelo tradicionalismo, pela cultura. Para quem desconhece, não é preciso ser nascido no Rio Grande para ser gaúcho. Quem nasce no Rio Grande é rio-grandense. Tem gente que nasce lá e não gosta de ser chamado de gaúcho, nem gosto de usar pilcha. A cultura gaúcha no Paraná e em Santa Catarina é tão grande quanto dentro do Rio Grande do Sul. Hoje, temos CTG até no Japão”, justifica.
Ingressos e informações sobre o evento pelos telefones (42) 99922-5779 – Nykolas e (42) 9-9962-9704.

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