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IAP permite instalação de empresa de transformação de resíduo sólido em madeira biossintética

Irati será pioneira no Paraná na aplicação dessa tecnologia. Atena Engenharia Industrial deve gerar 50 empregos diretos e outros 200 indiretos

Edilson Kernicki, com reportagem de Paulo Henrique Sava
A Atena Engenharia Industrial obteve a concessão da Licença Prévia 167402, do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), na segunda-feira (23). O novo empreendimento vai tornar o município de Irati pioneiro no Paraná na aplicação da tecnologia de transformação de lixo domiciliar em madeira biossintética.
O documento foi entregue na terça-feira (24), pelo secretário estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Márcio Nunes, na sede da SEMA, em Curitiba, ao prefeito Jorge Derbli, que estava acompanhado do secretário de Planejamento, João Almeida Júnior, e da secretária de Ecologia e Meio Ambiente, Magda Lozinski. 
A instalação da indústria vai dispensar o uso de aterro sanitário, gerar 50 empregos diretos e outros 200 indiretos e produzir um material de alto valor comercial. De acordo com o consultor de negócios da EKT, Mário Mayer, a adequação do barracão cedido pela Prefeitura para instalação da empresa deve se iniciar nos próximos dois meses e a fábrica deve entrar em operação entre março e abril de 2020. A primeira etapa de instalação da Atena em Irati vai gerar investimento de R$ 18 milhões em equipamentos. O montante pode chegar a R$ 30 milhões. Inicialmente, devem ser tratadas 50 toneladas de resíduo por dia. A unidade pode chegar a até 100 toneladas diárias, uma vez que o objetivo é também atender aos municípios circunvizinhos a Irati. “Nossa estrutura é modular e pode ser ampliada a qualquer tempo”, explica. 
A EKT é a empresa que detém a tecnologia a ser implantada em Irati para a transformação de resíduo sólido em madeira biossintética. A Atena é uma construtora que integra o consórcio formado pela EKT Tecnologia, G81 – Investidor – e Construtora Atena. A EKT atua há 20 anos na pesquisa e desenvolvimento dessa tecnologia. Segundo o consultor, é possível construir uma casa inteira com a aplicação desse material, a madeira plástica, ou biossintética: as paredes, as portas, as janelas, o piso, o forro e até as telhas. “Vamos montar um showroom com as casas feitas com esse material que produzimos e que todos os municípios do Brasil vão querer conhecer esse sistema. Irati vai ser a cidade que vai apresentar ao Brasil esse modelo de tratamento de resíduo”, aposta. 
Conforme Mayer, o contato com o município de Irati foi intermediado por um amigo em comum com o vereador Nei Cabral, que comentou da urgência do município de Irati em resolver a situação do aterro sanitário – um problema que é enfrentado pela maioria das cidades, que precisaram correr contra o tempo para se adequar ao Plano Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), criado pela lei 12.305/2010. Coube ao vereador marcar uma reunião da empresa com o prefeito Jorge Derbli. 
“O prefeito prontamente entendeu que seria uma tecnologia indispensável, tanto para o município de Irati quanto para qualquer outro município do Brasil. Como o prefeito Derbli é um grande investidor, um prefeito de visão, como todas as cidades deveriam ter, ele imediatamente se dispôs a verificar como funciona a tecnologia e ele foi visitar uma unidade-piloto que tínhamos em Novo Hamburgo (RS). Chegando lá, ele viu o processo funcionando e, de lá mesmo, já se dispôs a tocar o projeto em frente”, explica o consultor da EKT. 
Quanto à demora de pouco mais de um ano, entre o anúncio da instalação da empresa em Irati e a liberação da licença pelo IAP, Mayer reafirma que, por se tratar de uma nova tecnologia na destinação de resíduos, que não deixa sobras, nem gera emissão, o IAP precisa tomar algumas ressalvas. 
“A dificuldade que enfrentamos foi essa: o fato de ser uma tecnologia nova, de os técnicos do IAP a desconhecerem e eles não entenderem que existe a possibilidade de fazer um tratamento desses, com resíduo zero. Eles não confiaram muito na possibilidade de que isso acontecesse. Agora, vamos conseguir mostrar a eles esse material funcionando. No IAP, apresentamos laudos de outras unidades-piloto, que tínhamos funcionando e, mesmo assim, ficaram com o pé atrás em relação a tudo isso. Mas compreenderam que, melhor que ter um aterro sanitário a céu aberto, que está contaminando o lençol freático e a natureza, seria experimentar uma alternativa que pudesse tratar o resíduo”, diz. O contrato da Atena com a Prefeitura de Irati prevê que a empresa vai tratar não só o resíduo novo, que for gerado nas residências, como aquele que já está depositado no aterro do Pinho de Cima. 
De acordo com Mayer, no negócio proposto pela empresa ao município de Irati, a Prefeitura deixa de pagar a chamada “taxa de portão” – o valor pago para uma empresa fazer a coleta e a destinação dos resíduos. “A Prefeitura tem dois custos: o de coleta e o de destinação. Quando a usina estiver instalada, em vez de a empresa que faz a coleta levar para o aterro, vai levar para a usina. A Prefeitura, nesse caso, terá a despesa apenas da coleta, não mais a da manutenção. É um bom valor que a Prefeitura vai economizar com tudo isso. As outras prefeituras do Brasil, menos a de Irati, terão que pagar, obrigatoriamente [a taxa de portão]. O resíduo é do município e ele não pode doar para ninguém. No caso de Irati, teremos um valor simbólico, de R$ 0,01 a tonelada, só para que não precise ser doado. Nos outros municípios, o valor será o valor real, que vamos estudar para cada um”, detalha o consultor da EKT. 
Em contrapartida, a Prefeitura efetuou a cessão de uso de um barracão de 2 mil metros quadrados, no Parque Industrial da Vila São João. A cessão de uso tem duração de 30 anos. 
A liberação da licença prévia pelo IAP desenrola outro embaraço que havia para a instalação da empresa em Irati: a obtenção de financiamento através de uma linha de financiamento de investidores estrangeiros, que vão explorar financeiramente a usina a ser instalada em Irati. “Não tem qualquer relação com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e muito menos tem qualquer tipo de investimento por parte da Prefeitura na construção ou na confecção ou compra de qualquer equipamento”, salienta Mayer. 
“Vamos começar, nos próximos dias, a organização dos contratos e, como todo financiamento internacional tem que pagar o ‘legal fee’ [custas judiciais]. O legal fee é um seguro que o investidor tem que pagar para que seja liberado o recurso. Tão logo os recursos estejam disponíveis para serem aplicados, já vamos iniciar os trabalhos. Enquanto vamos finalizar a construção do barracão, fazer o piso, terminar as paredes, com isso tudo, nesse tempo, já vamos começar a confeccionar as máquinas. Temos uma máquina praticamente pronta lá no Rio Grande do Sul, onde é a sede da empresa e, possivelmente, já vamos instalar essa máquina em Irati”, esclarece.