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Fábio Hernandes fala sobre propostas para Reitoria da Unicentro

Ao lado do candidato a vice, Ademir Fanfa Ribas, Fábio compõe a chapa “Dialogar, Construir e Agir”

Da Redação, com reportagem de Paulo Henrique Sava 
O candidato a reitor da Universidade Estadual do Centro-Oeste do Paraná (Unicentro), Fábio Hernandes, da chapa “Dialogar, Construir e Agir” revelou as propostas que defende para o pleito, em bate-papo com a reportagem da Najuá. Hernandes é professor adjunto do Departamento de Ciência da Computação, que funciona no campus Cedeteg, em Guarapuava, e é pesquisador da área de Grafos (grafos fuzzy), Biomatemática e Computação Natural.

Acompanhe a entrevista completa no fim do texto

Ele se formou bacharel em Matemática pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita – UNESP (1996); é mestre em Ciências da Computação e Matemática Computacional pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da Universidade de São Paulo (ICMC/USP, 1999) e doutor em Engenharia Elétrica pela Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação da Universidade Estadual de Campinas (FEEC/UNICAMP, 2007), com estágio de doutoramento (doutorado sanduíche) na Universidade de Granada (Espanha).
O candidato a vice da chapa, o professor Ademir Juracy Fanfa Ribas, atua no Departamento de Administração, no Campus Santa Cruz, em Guarapuava. É formado em Administração pela Unicentro (1996); especializado em Gestão Empresarial, também pela Unicentro (1998); mestre em Desenvolvimento Econômico pela UFPR (2009) e doutor em Ciências Florestais pela Unicentro (2019).
As eleições para a Reitoria da Unicentro e para a Diretoria de cada um dos Campi ocorrem na quinta-feira (19). Nos campi de Irati, Santa Cruz e Cedeteg, a votação será das 9 às 22h. Nos Campi Avançados de Chopinzinho, Coronel Vivida, Laranjeiras do Sul, Pitanga e Prudentópolis e nos Polos de Educação a Distância (EaD), as eleições serão das 18 às 22h.
Najuá: Antes de deixar o governo estadual, em dezembro, quando passou por Irati, Cida Borghetti anunciou a assinatura de um decreto autorizando a criação do curso de engenharia civil a partir de 2020, mas com a troca de gestão não houve previsão de vestibular em 2019. Como estão as negociações e, na sua opinião, o que os reitores podem fazer para sensibilizar o governo?
Fábio: De fato, antes de a governadora Cida Borghetti deixar o cargo, ela anunciou o curso de Engenharia Civil para a nossa Unicentro, no campus de Irati. Houve a autorização governamental, porém, até o presente momento, o curso não foi implantado. Isso se deve a alguns problemas que tivemos, mas o principal é: o projeto também não está escrito. Temos uma comissão que está sendo capitaneada, presidida pelo Setor de Ciências Agrárias e Ambientais daqui do campus de Irati. Porém, o projeto ainda não foi todo finalizado e concluído. Mas, acreditamos, sim. Essa comissão está constituída e o curso deverá ser ofertado no vestibular de 2020, acredito, para começar em 2021.
A universidade está trabalhando com o projeto, via comissão do Setor de Ciências Agrárias e Ambientais e também está trabalhando junto à SETI. Esta é uma informação da atual Reitoria, que está em conversa com o superintendente [Aldo Bona, ex-reitor da Unicentro] para que o curso venha a ser ofertado no vestibular do próximo ano e, de fato, comece em 2021.
Najuá: Com as verbas curtas devido aos frequentes contingenciamentos, quais são as alternativas para não prejudicar os serviços e até mesmo evitar uma paralisação?
Ademir: Sou formado em Administração e minha vocação é o cuidado das questões financeiras, dos recursos orçamentários. Temos duas situações muito claras: uma, das verbas que vêm do governo do Estado, que precisamos continuar e, cada vez mais fortes e firmes, discutir com a sociedade, com o governo, comprovar com a comunidade que a Unicentro é importante, que a região de Irati precisa da Unicentro e que, por isso, precisa ser fortalecida.
Do outro lado, precisamos da coordenação. Aí, a nossa profissão, nossa função como administrador nos auxilia, junto com o professor Fábio [Hernandes] a reavaliar alguns conceitos de planejamento, organização, direção e controle, para podermos, efetivamente, continuar com nossos trabalhos, mas, principalmente, ser mais efetivos, mais profissionais, evoluir no atendimento à comunidade, evoluir no atendimento aos nossos alunos e fazer com que nosso ambiente de trabalho na Unicentro seja tranquilo, um ambiente de facilidade de convivência. Afinal de contas, vivemos a maior parte de nossas vidas dentro do ambiente de trabalho e vamos fazer essas oito horas de nosso dia, ao longo de 35 anos de nossas vidas da melhor forma possível.
Najuá: Quais são as demandas da classe estudantil e o que se pretende fazer para atendê-las?
Fábio: A classe estudantil da nossa Unicentro tem, sim, muitas demandas. Agora, nesse período de greve, eles colocaram sobre Restaurantes (RU), sobre oferta de bolsas, sobre a assistência médica, sobre as nossas demandas para que a Ouvidoria seja uma Ouvidoria eleita. Nos nossos compromissos de gestão, que estamos apresentando a toda a comunidade.
Temos o compromisso em melhorar a quantidade de bolsas para nossos estudantes. Também aumentar e melhorar as vagas nas nossas Residências Estudantis. Podemos, num primeiro momento, chamar de Moradia Estudantil, porque são residências alugadas pela universidade para um grupo específico, um grupo reduzido, no nosso caso, de estudantes do sexo feminino. Mas a ideia é aumentar ainda mais o número de vagas nas nossas residências estudantis e também ir em busca de nossas clínicas, das nossas unidades prestadoras de serviço da universidade e atender à nossa comunidade, nossos estudantes.
Temos um projeto para tratar a saúde mental e o bem-estar de todos os nossos estudantes, a partir de parcerias que já temos. Esse é nosso objetivo. A Ouvidoria vai, sim, ser eleita, que é também um pedido.
Em relação ao Restaurante, vamos em busca de melhorias. O que não podemos prometer, num primeiro momento, é o restaurante estatizado. Não temos na universidade nenhum agente universitário com perfil profissiográfico para atuar nos nossos restaurantes. Mas vamos, sim, em busca de melhorias nos nossos restaurantes, com alimentação de qualidade, com preço acessível a todos. Num primeiro momento, o restaurante estatizado ainda não será possível.
Najuá: Boa parte dos professores e servidores administrativos criticam a Lei Geral das Universidades que deverá ser encaminhada para a Assembleia nos próximos dias. Dentre os pontos criticados estão a questão da meritocracia, a diminuição de cargos e a terceirização de serviços. O que o senhor pensa sobre isso?
Ademir: Precisamos deixar bem claro que nossa chapa é a favor do diálogo, da discussão e de buscar o melhor caminho para a nossa Unicentro, para nossos estudantes, vamos sempre ser contra a impossibilidade de discussão, rechaçar um assunto sem poder haver a discussão. A Lei Geral das Universidades está sendo discutida em todas as sete universidades estaduais do Paraná. A Unicentro já fez três encontros de seu Conselho Universitário, de representantes de seu Conselho Universitário, as bases estão discutindo. Há questões que podem afetar o serviço público, gratuito e de qualidade, que nossa chapa defende com todas as forças.
Por outro lado, temos questões que podem ser beneficiadas no que diz respeito a número de professores, número de alunos. Se realmente for efetivo, se isso realmente funcionar, talvez possa ter uma tranquilidade, uma melhoria na nossa gestão. Mas, temos que ser muito claros e efetivos: [o corte de] nenhum direito, [de] nenhum benefício, nenhuma dificuldade dentro da nossa universidade serão aceitos por essa gestão. Vamos discutir, debater, vamos representar a universidade junto ao governo do Estado, junto à sociedade.
O professor Fábio Hernandes vai ser o reitor da Unicentro, defendendo os interesses da Unicentro. O professor Ademir Fanfa Ribas vai ser o vice-reitor, defendendo a Unicentro. O que for bom, vamos lutar para que seja melhor. E o que não for bom, vamos lutar para que não aconteça.
Najuá: Hoje se questiona altos salários nas universidades, salários acima do teto, mas todo ano existem movimentos de greve por melhores salários. Existe muita discrepância salarial entre alto escalão e a maioria dos servidores? Como o senhor agiria se tivesse de enfrentar um movimento de greve hoje?
Fábio: O movimento de greve é legítimo das nossas entidades sindicais, porque há, sim, um desmonte de nossas instituições universitárias, do ensino superior, do ensino básico, do ensino médio. Enfim, isso tem ocorrido no nosso País. O movimento de greve é legítimo, temos que discutir os motivos.
Hoje, o financiamento da educação pública passa por um momento caótico. Não temos orçamento para pagar o básico. Não temos condições de oferecer, às vezes, estruturas para nossos estudantes. O movimento de greve sempre foi legítimo. Ocupando a Reitoria, estaremos dialogando com as nossas entidades sindicais, com nossos docentes, com nossos agentes e, obviamente, com o governo do Estado, porque passamos por momentos em que não tínhamos nem um giz para nossos quadros. O movimento de greve é legítimo, um movimento em que conversamos sobre a educação e em que reivindicamos uma educação de qualidade, num país em que sabemos que ele só cresce quando investe em educação.

Confira a entrevista completa com os candidatos a reitoria da Unicentro