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Carlos Alberto Gomes comenta plataforma de campanha da chapa Unicentro Viva

Professor do Departamento de Economia, foi reitor da Unicentro de 1996 a 2004. Eleição para escolha do novo reitor da universidade será na quinta-feira (19)

Da Redação, com reportagem de Paulo Henrique Sava 
O professor Carlos Alberto Ferreira Gomes, do Departamento de Economia, concorre ao cargo de reitor da Universidade Estadual do Centro-Oeste do Paraná (Unicentro) pela chapa “Unicentro Viva”. Ele já exerceu o cargo na instituição entre os anos de 1996 e 2004. Gomes comentou a plataforma de campanha em entrevista concedida à equipe de Jornalismo da Najuá. 

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Formado em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo e em Ciências Econômicas pela UFPR (1982), Gomes é mestre em Desenvolvimento Econômico pela UFPR (1995), com créditos realizados na Universidade Nova de Lisboa, Portugal, e doutor em História pela Universidade Federal Fluminense – UFF (2010). É professor adjunto do Departamento de Economia da Unicentro, onde atua desde 1983. Foi professor adjunto da UEPG, de 1987 a 2012 e é diretor geral da Faculdade Guarapuava desde 2011.
Na sua experiência em gestão universitária, além de ter sido reitor da Unicentro, de 1996 a 2004 e de dirigir a Faculdade Guarapuava, desde 2011, foi diretor presidente da Fundação de Apoio da Unicentro (2004 a 2012). De 2002 a 2004 exerceu o cargo de presidente da Associação Paranaense das Instituições de Ensino Superior Públicas (APIESP) e atuou como membro da Diretoria Executiva do Conselho Nacional das Fundações de Apoio e Desenvolvimento Tecnológico (CONFIES).
Sua candidata a vice é a professora Mariléia Gärtner, do Departamento de Letras, em Irati. Professora da Unicentro desde 1995, é graduada em Letras Português e Respectivas Literaturas, pela UNIOESTE (1990); mestre em Educação pela UNICAMP (1998) e doutora em Letras pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho – UNESP (2006).
Mariléia é chefe do Departamento de Letras; já foi chefe da Divisão de Extensão e Cultura; da Divisão de Promoção Cultural; da Divisão de Extensão Universitária e da Divisão de Pesquisa e Pós-Graduação.
As eleições para a Reitoria da Unicentro e para a Diretoria de cada um dos Campi ocorrem no dia 19 de setembro. Nos campi de Irati, Santa Cruz e Cedeteg, a votação será das 9 às 22h. Nos Campi Avançados de Chopinzinho, Coronel Vivida, Laranjeiras do Sul, Pitanga e Prudentópolis e nos Polos de Educação a Distância (EaD), as eleições serão das 18 às 22h.
Najuá: Antes de deixar o governo estadual, em dezembro, quando passou por Irati, Cida Borghetti anunciou a assinatura de um decreto autorizando a criação do curso de engenharia civil a partir de 2020, mas com a troca de gestão não houve previsão de vestibular em 2019. Como estão as negociações e, na sua opinião, o que os reitores podem fazer para sensibilizar o governo?
Gomes: Em relação ao curso de Engenharia Civil na nossa universidade, no campus de Irati, acredito que, a partir do momento que o Governo do Estado assinou um decreto autorizando seu funcionamento, cabe agora à universidade tomar todas as providências, realizar seu planejamento para a oferta desse curso, como, aliás, aconteceu em muitos outros cursos que tivemos autorização, na época de nossa gestão (1996-2004) em que os cursos foram implantados.
No caso específico da Engenharia Civil, creio que temos a possibilidade ainda de ofertarmos esse curso no ano de 2020. Para isso, o projeto já está pronto, temos viabilidade, em todos os sentidos – pedagógica, administrativa e a financeira, que é algo a ser negociado com o governo. Creio que temos grandes possibilidades para a oferta da Engenharia Civil já em 2020.
Najuá: Com as verbas curtas devido aos frequentes contingenciamentos, quais são as alternativas para não prejudicar os serviços e até mesmo evitar uma paralisação?
Gomes: Na verdade, a universidade sempre teve dificuldades de ordem financeira. Não é de hoje. Claro que hoje vivenciamos uma situação bastante difícil, todas as universidades, aliás. Mas a Unicentro, especificamente, por ter já um orçamento proporcionalmente menor do que as outras universidades estaduais, talvez por falta de uma negociação mais efetiva, ao longo dos anos, claro que nós sentimos mais o problema que se apresenta, em termos orçamentários.
Mas é justamente nos momentos de crise que precisamos encontrar alternativas. Não podemos depender exclusivamente do orçamento concedido pelo Governo do Estado do Paraná. Claro que é responsabilidade do governo a manutenção, o pagamento dos salários dos professores, dos nossos agentes universitários, as verbas de custeio e os investimentos. Mas as universidades, de uma forma geral, também buscam outras fontes de financiamento. Existem agências de fomento tanto em nível de Paraná, como é o caso da Fundação Araucária, para o desenvolvimento de projetos de pesquisa, para eventos e até para investimentos. Temos também agências e outras formas de captação de recursos junto a órgãos federais, como a Caixa e o CNPq.
Nossa universidade, que já é uma universidade madura, uma universidade grande, pode também recorrer a outros expedientes, como, por exemplo, ter uma política pública de internacionalização, onde possamos buscar, junto a agências internacionais, recursos para o desenvolvimento de projetos.
Precisamos, junto ao Governo do Estado, ter um posicionamento mais firme para que não tenhamos nenhum direito a menos daquilo que é praticado nas outras universidades. Quando se fala no RU [Restaurante Universitário], temos que buscar, junto ao Governo, o mesmo direito que já é concedido, há muitos anos, a outras universidades. Não queremos, de forma alguma, nos colocarmos numa situação melhor do que as outras, porque sabemos das dificuldades das outras também. Mas não podemos ficar para trás. Acho que essa é uma função da Reitoria da universidade, que precisa ter firmeza no momento das negociações junto ao Governo do Estado. Acho que dá para fazer muita coisa. Temos que otimizar os recursos, que às vezes já são escassos, mas acabam sendo mal gastos, em determinadas situações. Precisamos otimizar, eleger nossas prioridades e buscar os recursos necessários para viabilizar o funcionamento da universidade em todos os seus sentidos.
Najuá: Quais são as demandas da classe estudantil e o que se pretende fazer para atendê-las?
Mariléia: A assistência estudantil é um problema sério em todas as nossas universidades brasileiras e, principalmente, paranaenses. Na Unicentro, talvez, esse problema seja mais grave ainda e é importante destacar que temos poucas ações efetivas na Unicentro. Precisamos, efetivamente, construir demandas de assistência estudantil. Claro que, quando falamos em demandas, precisamos entender por onde vamos andar nessas demandas. Temos três eixos importantes, que precisam ser considerados.
O primeiro eixo é o da dimensão humana, temos que prestar muita atenção à questão da recepção desses estudantes na nossa Unicentro, que é bastante delicada. Temos que pensar também a saúde desse estudante. Temos que ter políticas institucionais que pensem nisso, efetivamente, dentro da universidade.
Outra questão importante de se pensar na assistência estudantil, que nós temos que ter ações diretas, refere-se às questões pedagógicas. Sabemos que a assistência estudantil está relacionada tanto ao acesso desses estudantes à universidade como à sua permanência. Quando falamos em permanência, ficamos naquele nosso aspecto da evasão e da reprovação. Para que possamos diminuir esses índices, que são tão caros no ensino superior, índices de evasão, que são complexos, temos que ter programas que possam pensar como combater isso. Programas muito bem dialogados e conversados com nossos estudantes.
Quem vai diagnosticar e conversar sobre essas demandas são os nossos estudantes. Qualquer pauta de assistência estudantil tem que pensar sobre isso também. Mas não é só a questão da saúde do nosso estudante e a questão pedagógica, de reprovação e evasão. Também temos a questão de como esses estudantes se mantêm na universidade. Quando pensamos nesse manter-se na universidade, passamos pela questão da alimentação. Hoje temos o problema grave de não termos um Restaurante Universitário efetivamente público. Nosso restaurante é terceirizado e, mesmo tendo preços menores, ainda é caro para nosso estudante.
É necessário termos uma política efetiva de negociação com o Estado para estadualizar, tornar esse nosso restaurante público. É possível, sim. Outras universidades têm, a exemplo das outras universidades do Paraná. O mesmo deve ocorrer na Unicentro. Nenhum direito a menos. Temos que ter isso muito claro. Fora a questão da alimentação também temos que considerar questões referentes ao transporte, com negociações importantes com as prefeituras da região. Questões de transporte são bastante graves; nosso estudante acaba apresentando uma parte muito importante de sua renda para o pagamento desse transporte.
Najuá: Boa parte dos professores e servidores administrativos criticam a Lei Geral das Universidades (LGU) que deverá ser encaminhada para a Assembleia nos próximos dias. Dentre os pontos criticados estão a questão da meritocracia, a diminuição de cargos e a terceirização de serviços. O que o senhor pensa sobre isso?
Marileia: Esse é um problema sério que vem sendo discutido em todas as universidades públicas do Paraná. Essa minuta da Lei Geral das Universidades, na verdade, é uma proposta de privatização das universidades, uma proposta severa de privatização das nossas universidades com um propósito muito claro, mercadológico. Se pensarmos alguns pontos – é claro que a lei está sendo muito bem discutida pelos Conselhos Superiores de todas sete universidades estaduais – mas se pensarmos nos pontos nevrálgicos dessa proposta, temos na LGU uma possibilidade de pensarmos o ensino superior, que aí nem seria um ensino superior, mas o ensino das universidades, apenas como ensino. A LGU não nos permite pensar a pesquisa e a extensão, muito menos a pós-graduação, que são os elementos mais importantes, ou muito importantes, os que fazem a universidade ser uma universidade.
Termos a clareza e a posição da chapa de que temos que rejeitar, rechaçar essa lei é importante demais para todos nós, porque a LGU retira a autonomia da universidade. Aí qual seria o papel da universidade diante do CRUEP (Conselho de Reitores das Universidades Estaduais do Paraná)? Seria esse CRUEP quem definiria a abertura e fechamento de cursos. Em muitos momentos, até nossas áreas de pesquisa são definidas por um Conselho de Reitores. Isso, de certa forma, retira totalmente a autonomia da universidade de pensar a identidade de cada região específica. Essa é a função da nossa universidade para o desenvolvimento econômico, social, cultural das regiões onde estamos presentes enquanto universidades.

Confira o áudio completo da entrevista